terça-feira, 18 de agosto de 2009

O que você quer deixar para o mundo?

Introdução

Como podemos definir a morte? Bom... Dei uma olhada no Dicionário Houaiss
e, entre várias, escolhi a seguinte definição: “fim da vida, interrupção definitiva da vida humana, animal ou vegetal.

É interessante refletirmos sobre a morte. Apesar de ser uma das únicas certezas que temos, nossa cultura não nos prepara para ela; com isso, vivemos como se todos fôssemos "Highlanders"
. É algo difícil de aceitar, mas a morte marca o fim do ciclo da vida. Inclusive, em um almoço com amigos falamos sobre isso, meu amigo Bruno comentou que existe um momento da vida em que vamos a diversas formaturas de amigos que cresceram com a gente. Em outro momento, vamos aos casamentos desses amigos (e eles vão aos nossos :-)). Depois, começamos a freqüentar diversas festas de crianças (filhos desses amigos). Algumas décadas depois começa a parte mais triste, que é quando começamos a ir aos velórios destes que passaram várias décadas ao nosso lado. Parafraseando o amigo do Indiana Jones no último filme: "Existe uma hora que a vida pára de dar e começa a tirar.".

O ciclo da vida também é citado em canções, a música Aquarela, de Vinícius de Moraes e Toquinho, conta de uma forma muito sutil toda nossa trajetória por aqui. A propósito, quem se lembra do comercial da Faber-Castell que mostrava um clipe sobre esta música?



Entrando no tema

Após divagar um pouco sobre a vida, vamos voltar à questão do título deste texto: Sabendo que um dia não estaremos mais aqui, o que desejamos deixar para o mundo?

Será que estamos aqui somente para crescer, constituir uma família, envelhecer e depois morrer? Não quero dizer que seja simples ou fácil passar pelo ciclo da vida (inclusive já compartilhei algumas dificuldades que enfrentei), mas, mesmo com todas as dificuldades, será que não podemos ir além da “rotina”?

Será que não podemos dedicar parte do nosso tempo para aplicar nossas habilidades na transformação do mundo em um lugar melhor? Sei que depois dessa alguém pode estar pensando “Ahhhh... Sem chance! O mundo é muito grande e eu sou um só!”, mas o mundo que me refiro aqui é o espaço que interagimos no dia-a-dia (nossa rua, nosso bairro, nossa cidade, etc.).

Se você não pensou em nada quando eu falei sobre “tornar o mundo melhor”, depois da minha definição de mundo é provável que você esteja pensando “Então beleza, como eu não jogo lixo na rua a minha parte está ok!”. Mas reflita alguns segundos ou minutos aí do outro lado... Sabemos que você e eu podemos ir além do que é a nossa obrigação, não é mesmo? É improvável que ao sair de casa, você não se depare com alguma cena que faça surgir em sua cabeça uma frase do tipo “Poxa, que situação... E ninguém faz nada.”.

Independente de ser ou não responsabilidade de outros (na maioria das vezes, do governo), normalmente temos condições de atuar em alguns problemas que presenciamos no dia-a-dia. Mas costumamos “investir” o tempo em reclamações, passando a bola para frente ao invés de assumirmos que podemos ser parte da solução.

Por isso, proponho uma reflexão sobre nossa missão aqui na Terra. Sei que pode parecer algo profundo e místico, mas na realidade é uma tarefa muito prática e objetiva. Quase todas as religiões defendem a idéia de que estamos aqui de passagem (até quem não tem religião acredita nisso), então que tal aproveitarmos o “nosso turno” da melhor forma possível?

Vale comentar que o título “O que você quer deixar para o mundo?” não foi escolhido por acaso. Inicialmente pensei na frase “Como você quer ser lembrado?”, mas concluí que para um bom “marqueteiro”, fica fácil ser lembrado como alguém que fez a diferença sem efetivamente ter deixado algo de bom.

Conclusão

Podemos considerar que este texto é um “pseudo-monólogo”, pois sempre reflito sobre o que posso deixar para o mundo. Ao pensar sobre o assunto, fatalmente caio em outra questão: “O que eu fiz hoje para tornar o mundo melhor?”, mas vamos deixá-la para outro momento. Espero que possam se enxergar no texto aqueles que compartilham da mesma preocupação que eu, também espero que uma reflexão se inicie naqueles que nunca pensaram sobre o tema.

Provavelmente voltaremos neste assunto em algum momento, encerro com a frase dita pelo personagem “Maximus Decimus Meridius”, no filme Gladiador (1:03 no trailer):

Brothers... What we do in life... echoes in eternity.” (O que fazemos em vida, ecoa na eternidade.)


Muito obrigado!

Um abraço,
Alessandro.


18 comentários:

Silvia Gonçalves disse...

Oi Ale..
Tudo bem?
Qto tempo....

Pois é... realmente quase nunca nos preocupamos com o que vamos deixar para o mundo...
Mas há tantos problemas que nos cercam... tanta coisa... sei lá...
Acho que atualmente não tenho nada a oferecer a ninguém...

Mas torço por vc e por seus esforços..

Enfim...

Bjos mil!!

pedentello disse...

Grande Alessandro,

o seu texto me fez lembrar de um poema de Fernando Pessoa (eita cara complexo, controverso, mas apaixonante) - Tabacaria - que diz assim:

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Eu tenho muitos sonhos e, a maioria deles extrapolam o meu pequeno mundo. Mas até chegar na realização destes sonhos, passa-se por muito trabalho, perseverança, doação, dores e assim por diante...

Vamos sonhar e construir um mundo melhor a cada dia, porque vale a pena. Conte comigo! Abraços.

Fabiane disse...

Acrescentando o comentário e tomando a liberdade de discordar em alguns aspectos digo que é difícil sentir que podemos fazer algo para mudar o mundo e fazermos parte desta mudança. Mas há diversas formas de nos colocarmos de experiências de compaixão para com o próximo. Nós somos de uma espécie que é capaz de se colocar no lugar do outro para compreender a intenção da outra pessoa e compreender o que quer dizer ou comunicar; assim como também somos capazes de nos colocar no lugar da pessoa que está nos sorrindo para entendermos - algumas vezes de forma meio equivocada - o sentido daquele sorriso para nós. Isto funciona também diante de uma pessoa que sofre. Eu me coloco no lugar desta pessoa para poder compreender o sentimento de dor que se expressa no rosto dela ou em algum outro gesto. Ao me colocar no lugar do outro, para compreendê-lo, eu sinto o sofrimento com a pessoa que sofre. È através deste sentimento que nos impulsiona sermos mais humanos e caridosos-conseqüentemente mudar a situação de quem nos rodeiam.
Elie Wiesel nos oferece uma pérola do pensamento talmúdico sobre isto: "A caridade salva da morte. [...] O que é a caridade? Os vivos devem se preocupar com a tristeza ou doença do próximo. Quem não se preocupa não é realmente sensível; quem não é sensível não está realmente vivo. E este é o significado do apelo do shammash: a caridade nos livra de morrer em vida".

Fabiane disse...

Um beijo da Fabi

Andreia disse...

Oi, Ale!
Com certeza, um ótimo texto. Parabéns!

Essa reflexão pode render boas discussões. E bons frutos, já que muitas pessoas poderão refletir sobre como suas ações impactam direta ou indiretamente na vida de outras pessoas e o mundo em sua volta.

"Será que estamos aqui somente para crescer, constituir uma família, envelhecer e depois morrer?" - Sim, essa é a rotina da vida. Mas mesmo nela (nem sempre é necessário ir além) percebo que há muitas formas de contribuir com um mundo melhor. Nesse processo bem complexo (e ao mesmo tempo, maravilhoso) podem surgir muitas oportunidades de contribuição, que se fossem aproveitadas por todos, talvez hoje o mundo estivesse de outra forma...

O que estou tentando passar com o comentário acima é que nem sempre precisamos ter muito tempo disponível, fazer grandes obras, cometer alguns sacríficios para deixar a nossa parcela de transformação. Com pequenas atitudes, gestos, já podemos ajudar na quebra de grandes vícios, maus hábitos, etc. Se enxergarmos essa possibilidade, mesmo preocupados com a nossa "rotina", sempre perceberemos alguém ou algum lugar em que possamos ser úteis...

Fabiane, sei que o Blog é do Ale, rs. E ele deve responder aos comentários, mas quero registrar que concordo plenamente com você! Parabéns pelas suas colocações. Por muitas pessoas acharem difícil sentir como podem ajudar, acabam deixando de colocar essa meta no seu dia-a-dia, nas pequenas ações que podem tomar...E, realmente, se você faz o exercício de se imaginar no lugar de outra pessoa (com amor e humildade), consegue perceber, se comover, sentir e quem sabe acertar sobre o que pode fazer para ajudá-la. Você pode encontrar justamente o que ela espera de você, das pessoas que passam pela vida dela...Algo como "Bom, se fosse comigo eu gostaria que alguém me orientasse sobre..." ou "Ahhh, se fosse comigo eu gostaria que as pessoas julgassem menos e compreendessem mais, me tirassem desse vício, desse problema...", "me ensinassem tal assunto" e por aí vai...

Ale, desculpe. Acho que escrevi demais. Se quiser, pode dar bronca...

Parabéns por ser uma figura de transição. Que Deus te abençoe e te dê forças para continuar assim. E que você possa encontrar em seu caminho, pessoas que precisem dessa transformação em suas vidas. Sejam ajudando e crescendo, ou sendo ajudadas, crescendo e retribuindo ao próximo que precisar e assim vai...

Beijos!
Déia.

Gabriela Silva disse...

Olá Alessandro!

A Sílvia Gonçalves me indicou seu blog porque acabei fazendo um post similar. E cara, adorei seu texto! Me procupo muito com essa questão "o que estou fazendo de bom para o mundo", "o que vou deixar para meuss filhos, netos, amigos"... Enfim! Acredito que gente pode sim fazer a diferença!
Vou linkar teu texto ao meu, tudo bem?
Beijão!

VaNn AliSoNn disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
VaNn AliSoNn disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
VaNn AliSoNn disse...

Oi Alessandro,

Esta semana perdemos uma pessoa maravilhosa...Na verdade não a perdemos, apenas não a veremos mais aqui neste lado da vida.
Refletindo em seu texto me deparo exatamente com os feitos realizados e de como esta pessoa está sendo sendo lembrada por outros.
Quando alguém que conhecemos falece,cria-se a oportunidade de refletirmos o modo em que vivemos.
Já que alguns se lembrarão de nós pelo que fomos ou pelo fizemos.
Minha avó se foi no dia 16/08/09, e foi o maior exemplo de cristã que conheci...Não estou dizendo que ela foi religiosa,porque não foi...ela vivieu a essência do Cristianismo - AMOU.
E o amor não trata-se apenas de sentimento e sim e "comportamento".
Não espere a manisfestação do sentimento dentro de você para fazer o bem e tratar as pessoas da maneira que você gostaria de ser tratado... TRATE.
O sentimento é apenas uma forma de expressão do amor, pratique o compartamento e em breve o sentimento surgirá, e aquilo que fazemos várias vezes se tornará hábito, e o hábito se tornará em vida...estilo de vida.

Muito bom saber que existe uma pessoa como você que se preocupa e transmite à outras pessoas "O que podemos deixar para o Mundo?"

Ufa!

Abraço

Claudinéia disse...

Boa tarde primo, acho que antes de mais nada, temos que aprender a administrar o nosso tempo, e ter tempo para as coisas, porque muitas vezes, falamos que estamos sem tempo para fazer algo para deixar para o nosso próximo.
Interessante o seu pensamento que nos cutuca para refletir sobre o que estamos fazendo ou deixando de fazer, pensar na vida, na morte, e nesse intervalo, colocar algumas coisas em prática não é mesmo?!

Enfim, um forte abraço, e mais uma vez, parabéns pela iniciativa de fazermos refletir.
Beijos, com saudades!

Anônimo disse...

Faço a pergunta por um outro prisma: estamos no mundo pra quê? Segundo Nietzsche devemos primeiramente nos conhecer, ou em outras palavras, o que gostamos de fazer, se for descansar, que descanse, se for trabalhar, que trabalhe, se for ser caridoso, que seja caridoso, se for dar a bunda, que dê a bunda, mas claro, sem gabaritos, com total liberdade. Pois conhece a ti mesmo e luta por aquilo que te dá prazer e que traz felicidade. Sobre a sua pergunta do que eu quero deixar para o mundo? Eu não quero deixar porra nenhuma, meus pais treparam e cá estou, eu existo pra porra nenhuma, a vida não tem objetivo, Deus provavelmente não existe e todos morreremos um dia. Cada um é livre pra fazer o que desejar, as regras impostas pela sociedade (casar, ter filhos) pra mim é uma puta babaquice. Leia o eterno retorno de Nietzsche.

Dézinho disse...

Fala Sandrinho!

Muito interessante seu texto!
Refletindo sobre o assunto, é difícil encontar pessoas que querem fazer a diferença, deixar sua "marca" positiva neste mundo tão estranho, mas cabe a cada um tentar fazer sua parte!
É difícil e tocante ver uma criança morando nas ruas, se deparar a cada dia com politicos corruptos, tanta miséria, violência, sugeira...mas o que fazemos para isso mudar, qual nossa contribuição para tudo isso mudar?
Uma andorinha só não faz verão, mas uma jornada inicia-se pelo 1º passo! Por que não darmos o 1º passo?
Embora seja mais comodo cruzarmos os braços e colocarmos a culpa no governo e nas adversidades, vamos tentar fazer a diferença!

Um abraço.
André

norma disse...

Alessandro, foi um enorme prazer encontrar vc aqui neste blog.

Só o fato de levar esta questão em pauta, já faz a diferença.

Quem se preocupa com seus atos e as consequências que eles repercutem, já tem uma enorme consciência de vida e de morte.

Eu como espirita vejo a morte como uma passagem para outro plano, e aqui estou para aperfeiçoar meu espirito que nunca morre.
Não acredito que estejamos aqui de simples passagem, mas sim para corrigirmos várias falhas e erros passados..

É um tema polêmico... mas eu gosto!

Beijos e parabéns pelo blog...

Rafael Ramos disse...

Alessandro,

Muito bom texto. Às vezes precisamos ler coisas assim para dar uma sacudida geral na vida.

Grande abraço,

Isabel disse...

Oi, Ale!

Finalmente li o seu texto.

E mais uma vez lhe digo que gosto muito de você, o respeito e admiro pois que está se eternizando através de suas palavras.

Para mim deixar algo para o mundo é uma herança imensa. É a forma como desejo ser lembrada quando aqui não mais eu estiver.

Nossos atos, pensamentos e palavras nos tornam imortais, de uma forma boa ou ruim, na lembrança das pessoas.

E ausência da inércia em nossas atitudes marcam historicamente nossa contribuição para um mundo melhor ou pior.

Todos os dias busco fazer o meu melhor. Sei que não consigo agradar a todos porque isso é impossível, mas durmo com a consciência tranquila pois, pelo menos, eu tentei.

Seria muito bom se cada um de nós pudesse realmente viver um dia de cada vez e se colocar em primeiro lugar, não com egoismo, mas sabendo que é importante na vida de muitas pessoas e importante para si mesmo.

E que, mesmo na condição de ilhas, pois somos sozinhos dentro de nós mesmos, formamos um imenso arquipélago que é a Humanidade. E necessitamos uns dos outros.

Obrigada pela honra de ter lido o que escreveu. Cresci e aprendi um pouco mais para continuar a caminhar neste sistema de ensaio e erro que é vida, como disse nosso querido Drummond.

Por favor, Ale, nunca pare de escrever. Você tem muita humildade e sabedoria. É um iluminador de caminhos.

Deus o abençoe infinitamente.

Beijos,

Isa

Isabel disse...

Ainda sobre o seu texto, Ale:

"Se não puderes ser uma estrada, sê uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas".

- Pablo Neruda -

Senti que tinha tudo a ver...

Beijos,

Isa

Meire disse...

Ale,
Hoje fiquei "fuçando" no seu blog e li novamente este texto.
Especialmente hoje, ele me fez refletir ainda mais! Como comentei com você, semana passada, meus 200 filhos foram embora. Na sexta-feira recebi inúmeras manifestações de puro amor e agradecimento!
Me senti muito feliz mas refletindo o que poderia ter feito mais! Talvez mais um abraço, um beijo, um colo...ou até mesmo apenas mais um sorriso!
Sabia que era amada, mas as manifestações foram tão intensas que entendi a verdadeira importância do meu trabalho junto a eles!
Quero sim deixar algo: A certeza de poder ter feito o melhor para que os outros façam o seu melhor!
Um beijo

Meire disse...

Alê, olha eu me aproveitando do seu espaço!
Refleti sobre seu texto também por um outro motivo.
Faço alguns trabalhos voluntários e um deles é numa casa de Assistência a Crianças com Cancêr, "Anjo de Luz".
Soube ontem que um dos meus "anjos" voltou para o nordeste pois não há mais solução para o seu problema.
Pensei: O que eu poderia ter feito mais?
Recordei-me com alegria dos momentos que passei com ela!
Sentada ao chão, brincando de inúmeras formas! Mas o que mais alegria me deu foi lembrar do dia em que a levei no "Shop" e ainda vejo o seu sorriso! Depois fomos ao corpo de bombeiro e meu anjo sorria ainda mais, subindo nas viaturas e sendo paparicada por todos!
"Tia, então eu sou o piriri e você o pororó? (segredos nossos)
Talvez pudesse ter sido mais presente pois acredito realmente na frase "És responsável pelo que cativas"(Pequeno Príncipe).
Se esta página fosse de papel, ficaria borrada por uma lágrima que insiste em cair...

Um beijo Alê e continue com suas viagens psicodélicas, elas com certeza já fazem a diferença sobre o que deixará para o mundo!

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